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É com satisfação que anunciamos o livro "Economia Alternativa: Uma Nova Maneira de Organizar o Mundo"

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Durante sete meses deste ano, o grupo se dedicou à realização de um trabalho considerado decisivo para a formação em jornalismo. Unidos na tarefa de escrever sobre a nova economia, os autores e amigos Bruno Toranzo, Carolina Vertematti e Cinta Potelecki, ao entregar o livro Economia Alternativa: Uma Nova Maneira de Organizar o Mundo para os integrantes da banca de avaliação, concluíram um grande desafio. Leia abaixo a orelha da obra escrita pelo professor e orientador do TCC, também conhecido como "Trabalho de Conclusão de Curso", que brilhantemente descreveu o resultado da nossa aventura:

“Este livro é fruto de trabalho de pesquisa e de envolvimento de três jovens formandos que resolveram remar contra a maré e, ao invés de mergulharem em temas corriqueiros do dia a dia como esporte, cultura e lazer, internet e mídias sociais, preferiram explicar o que é economia, como ela nos atinge, como não podemos viver sem entendê-la e, mais do que tudo isso, quais características precisam ter a economia do futuro.

Os autores Bruno Toranzo, Carolina Vertematti e Cintia Potelecki nos mostram que é hora de mudança. Uma alteração brusca que recebe o nome de Economia Alternativa, já que não se pode mais aguentar os efeitos nocivos do sistema econômico convencional como a destruição do meio ambiente, com destaque para o aquecimento global; os movimentos inescrupulosos dos agentes financeiros, como a bolha no setor imobiliário americano que levou a economia praticamente ao colapso e a produção voltada para atender o consumo sem qualquer responsabilidade.

Mais do que nos levar a uma profunda reflexão sobre os rumos que a economia tomou, o livro nos deixa várias lições de como podemos, com gestos e ações simples que fazem parte do dia a dia, praticar o consumo responsável.

Abordar economia em um país de proporções continentais como o nosso não é fácil. Esse exercício requer, em primeiro lugar, preparo e conhecimento sobre as enormes diferenças de renda. Como falar de economia sem falar em dinheiro? Como falar de dinheiro sem falar em trabalho? Como falar de trabalho sem detalhar as classes sociais? Como falar de classes sociais sem tocar no problema do consumo desenfreado?

Ao discutirem o tema Economia Alternativa, o que esses três alunos do 8º Semestre do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo fazem é deixar que a economia tome conta das nossas conversas, seja assunto nas rodas de discussão. Há dicas imprescindíveis em uma linguagem simples e direta que nos leva a não só conhecer como adotar o consumo consciente, criativo e solidário.

A partir deste livro, quem sabe boa parte da população possa entender e praticar a economia com um novo olhar, a partir de uma nova perspectiva, marcada, principalmente, pelo respeito ao indivíduo, à sua comunidade e ao seu dinheiro”.

Prof. Rodolfo Bonventti
UMESP

Os chineses estão no caminho errado

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A China optou pelo modelo de desenvolvimento do passado
O governo leva em consideração tão somente o crescimento econômico. A exemplo do que fizeram os países desenvolvidos, a China não quer saber de respeito ambiental e preocupação social.

As minas de carvão chinesas estão longe de serem seguras. Somente no ano passado, foram mais de 3 mil mortes em acidentes de trabalho. Os desabamentos, as inundações e as explosões são as principais causas do alto índice de mortalidade. A última tragédia ocorreu no nordeste do país. De acordo com a mídia estatal, mais de 100 pessoas morreram de forma quase instantânea.

Esses acidentes poderiam ser perfeitamente evitados. Na ânsia de produzir energia com rapidez, já que o governo tem por objetivo dar conta da demanda crescente trazida pelo robusto crescimento econômico, as medidas de segurança ficam de lado. Como o mundo inteiro sabe, os chineses têm no carvão sua principal fonte de energia, uma presença quase hegemônica na geração elétrica.

A verdade é que a China não cresce de maneira sustentável. Podemos chamar o modelo chinês, a exemplo do que ocorreu com a maior parte das nações desenvolvidas, de doentio. Apesar de se tornar cada vez mais forte, sob todos os aspectos de análise, no cenário internacional, esse gigante não faz questão de instaurar uma nova forma de desenvolvimento, fundamentada no respeito ao meio ambiente e às pessoas.

Mesmo que a economia chinesa cresça de uma maneira espetacular, ao avaliar os números referentes ao PIB (Produto Interno Bruto), não se pode dizer, muito longe disso, que a população goza de boas condições de vida. A evolução do PIB, a soma das riquezas produzidas e dos serviços disponibilizados por um país, de um ano para o outro não leva em conta os prejuízos ambientais e sociais causados para que se conseguisse tal aumento.

Ao olhar apenas para o PIB, a renda média real não pode ser medida. Como em tantos lugares do planeta, a sociedade chinesa é extremamente desigual. Ou seja: poucos ganham muito, e muitos ganham pouco. Isso pode ser constatado na diferença entre as regiões chinesas. Algumas cidades movimentam uma soma gigantesca de recursos financeiros, o que não significa que as pessoas, na média, vivam bem. Por outro lado, outras não são do interesse dos investidores. A ausência do mercado faz com que tenham índices de miséria preocupantes.

É por isso que muitos especialistas, com destaque para o economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel, defendem que o PIB não seja o único medidor da riqueza de um país. Quem investe (refiro-me aos empresários que efetivamente investem para criar empregos e aumentar a renda da população; não estou falando dos inescrupulosos especuladores) e aposta na seriedade de um país precisa, para Stiglitz e sua turma, avaliar as condições de vida dos habitantes. Temos de parabenizar iniciativas como essa, porque serão importantes para que uma nova economia seja finalmente possível.

Por fim, para piorar a avaliação do desenvolvimento chinês, o governo, centralizado na figura do Partido Comunista, tenta desesperadamente manter seus cidadãos longe das fontes de informação. Em território do falecido líder Mao Tsé-Tung, não se pode discordar. Não há espaço para discussões. A visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como forma de melhorar as relações entre os dois países, resultou em um exemplo do controle sobre as pessoas exercido pelos governantes chineses. Ao se encontrar com estudantes escolhidos a dedo pelos dirigentes comunistas, Obama precisou responder indagações que evidenciavam uma linha favorável ao regime.

Como já dissemos em publicações anteriores, a China não vai se comprometer com a redução das emissões dos gases de efeito estufa no encontro de Copenhague a ser realizado no começo do próximo mês. Infelizmente, os chineses já mostraram que não vão inaugurar um novo modelo de crescimento. Eles optaram pelo passado com o agravante de impedir, por meio da violência em muitos casos, a disseminação de qualquer posicionamento contrário à escolha.

Para conversar com Bruno Toranzo, o autor do texto, envie quantas mensagens desejar para brunovdpt@hotmail.com

Indecisão em Copenhague

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O acordo do clima deve ficar para depois
Os países não conseguem se entender. Já se fala em compromisso bilateral entre os maiores poluidores como forma de escapar da pressão internacional pelo fim da dependência do carbono.

“Se houver vontade política, estou certo de que há um caminho para concluirmos um acordo em Copenhague”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, no começo de novembro. Ou seja, a julgar pelo ritmo moroso das negociações, não teremos decisão alguma, entre os dias 7 e 18 de dezembro, na capital da Dinamarca. Os países, com exceção da França, não demonstram comprometimento para adotar medidas que atenuem o aquecimento terrestre.

Os Estados Unidos provavelmente chegarão ao encontro sem metas concretas. Mais uma vez, como ocorreu no Protocolo de Kyoto, os americanos relutam em assumir sua imensa responsabilidade no problema. Até agora, o Senado não aprovou o projeto de lei, chamado, em alusão aos sobrenomes dos parlamentares que o criaram, de Waxman-Markey, que fixa a redução das emissões de gases-estufa em 20% até 2020, utilizando como base os polêmicos níveis de 2005.

Para o Greenpeace, trata-se de um corte insuficiente. Na verdade, muito longe de ser suficiente. Ao considerar a porcentagem original de diminuição (a Câmara aprovou 17%; o Senado colocou mais 3%), isso equivale a uma redução de meros 4% em relação a 1990. O investimento em fontes renováveis também faz parte do projeto. De acordo com o documento de 1.200 páginas, cuja votação está completamente parada, as geradoras de energia elétrica terão de dar conta de 20% da demanda por meio de fontes renováveis, como solar e eólica, até 2020.

“Não está certo a União Europeia assumir a responsabilidade e os demais não”, criticou a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. A União Europeia tem várias propostas para apresentar. Como disse Merkel, o grau de comprometimento dependerá dos demais. Caso os europeus sintam que o acordo deste fim de ano será levado a sério pelos participantes, eles vão se comprometer a reduzir em 95% suas emissões em 40 anos. O bloco de 27 países tem como objetivo, independentemente do que faça o restante do mundo, diminuir em 20% as emissões nas próximas duas décadas. Ao contrário dos americanos, a UE leva em conta o ano de 1990 como base de comparação.

A China, assim como a Índia, não concorda que os países emergentes tenham metas obrigatórias. Com uma matriz energética extremamente suja, baseada no uso intenso de carvão, os chineses já ultrapassaram os Estados Unidos em termos de emissão dos gases do efeito estufa. Recentemente, o governo divulgou que pretende estimular as ações de baixo carbono, além de ampliar em 15% o uso de energias renováveis nos próximos 20 anos.

“Não temos o direito de permitir que o presidente Obama e que o presidente Hu Jintao (China) façam um acordo com base apenas nas realidades políticas e econômicas dos dois países”, defendeu Lula em encontro com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Os chineses e americanos são responsáveis por 40% das emissões dos gases que aumentam a temperatura terrestre. Eles cogitam a assinatura de um acordo bilateral para fugir da cobrança internacional por metas arrojadas de diminuição da dependência do carbono.

Converse com Bruno Toranzo, o autor do texto. Basta enviar quantas mensagens desejar para brunovdpt@hotmail.com

França: carros elétricos estarão nas ruas até 2020

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Foto: Divulgação
OS 14 MANDAMENTOS
1) Pontos de recarga até 2010;
2) Veículos elétricos nos novos projetos das cidades;

3) Ajudar as universidades a desenvolver baterias elétricas;
4) Comprar 100 mil carros elétricos até 2015;
5) Subsidiar em 5 mil euros cada veículo elétrico;
6) Carros elétricos carregados em qualquer tomada;
7) Após 2012: prédios novos devem ter ponto de recarga;
8) Instalar pontos de recarga em prédios antigos;
9) Até 2015: todo prédio deve ter pontos de recarga;
10) Usar o padrão europeu de tomadas;
11) Governos locais devem criar pontos de recarga;
12) Organizar a distribuição da rede de recarga;
13) Nenhuma fonte fóssil deve ser usada para gerar energia;
14) Promover a reciclagem de baterias.

Os mandamentos fazem parte do plano do governo francês para garantir, pelo menos, dois milhões de carros elétricos nas ruas até 2020. O plano foi apresentado pelo ministro de ecologia e energia, Jean-Louis Borloo, e pelo ministro de indústria, Christian Estrosi, no mês passado. Para atingir a meta, o governo pensa em veículos que sejam viáveis financeiramente para a população.

Os primeiros modelos “made in France” chegam ao mercado ano que vem com um bônus de 5 mil euros para compra. Essa ajuda é válida para os veículos que emitam menos de 60 gramas de CO² por quilômetro. O governo planeja ter uma frota de 100 mil veículos elétricos até 2015.

Devem ser construídos 4,4 milhões de pontos de recarga nas ruas até 2020. Para isso, será necessário um investimento de mais de 4 bilhões de euros, além do reforço da rede pública de energia, para suportar a demanda. Os prédios residenciais e comerciais, construídos após 2012, terão de ter, obrigatoriamente, pontos de recarga. O governo também espera a participação de shoppings e hotéis.

Para mandar uma mensagem para Cintia Roberta, a autora do texto, escreva para ctaroberta@gmail.com

Pipas podem gerar energia

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Crédito foto: Superinteressante - Planeta Sustentável
Um dos brinquedos mais antigos do mundo pode se tornar uma alternativa energética no futuro. A aposta é que a pipa, com a ajuda do vento, possa fornecer energia elétrica.

A ideia é substituir as pás das turbinas eólicas por pipas presas a cabos de aço que fiquem ancoradas a uma estrutura fixa no chão. Conforme o vento balança a pipa, o cabo de aço se movimenta, e essa força é usada para gerar energia.

O sistema, além de evitar a emissão de carbono, pode reduzir custos e espaço físico. Um sistema de pipas consegue gerar 100 MW em 800 metros. Para geração da mesma carga elétrica, são necessárias 150 turbinas eólicas que ocupam o equivalente a 40 km². Além disso, a substituição das pás de turbinas pelas pipas evita acidentes com aves, por exemplo.

A ideia do sistema é da empresa italiana Kite Gen. Em 2006, o projeto recebeu recursos financeiros do governo italiano. Dois anos depois, a União Europeia também investiu alguns milhões. A primeira instalação que utiliza a técnica de pipas está em testes na província italiana de Asti.

Deixe a sua opinião sobre o assunto no espaço reservado para isso ou mande uma mensagem para Cintia Roberta no e-mail ctaroberta@gmail.com

Tomada giratória economiza energia

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Na quarta dica de economia alternativa, mostramos que os aparelhos eletrônicos ligados na tomada ou em modo “stand by” consomem energia elétrica da mesma forma. Por mais que saibamos da vantagem de deixar os equipamentos que não estão em uso desconectados da tomada, ninguém está livre de simplesmente esquecer de tomar esse cuidado.

Pensando nessa possibilidade, o designer japonês Yong-jin Kim desenvolveu uma tomada que corta a transmissão de eletricidade ao ser girada, como faz, por exemplo, o botão da máquina de lavar roupa.

A
Power Socket SWITCH, nome escolhido para o invento, reduz em até 11% o valor da conta de luz. E a forma de usar é bem simples. Depois de utilizar o aparelho, basta girar a tomada em 45 graus para que a corrente elétrica seja cortada. Para permitir a volta da energia, é só girar a tomada para o lado original.

Crédito Foto: Reprodução Site


O produto ainda não está sendo comercializado. Quando for, tenham certeza de que avisaremos. Como sabemos, o mundo precisa poupar energia e recursos naturais. De quebra, economizamos alguns trocados. Para conhecer melhor o dispositivo, acesse o site do criador.

Se você quiser mandar uma mensagem para a autora Carolina Vertematti, escreva para carolvertematti@gmail.com

Selos Verdes

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Fique atento na forma como os produtos são desenvolvidos. Esse é um importante passo para colaborarmos, como consumidores, com a preservação dos recursos naturais. Os selos verdes, por exemplo, auxiliam na hora da compra. Eles certificam a qualidade daquilo que vamos consumir, além de atestar que foram e serão causados impactos ambientais reduzidos. Para que você saiba mais sobre o assunto, destaco alguns exemplos:

Eletrodomésticos
Encontrados em eletrodomésticos, o Selo Procel de Economia de Energia, criado pelo Programa de Conservação de Energia Elétrica, é concedido pelo Inmetro e pela Eletrobrás. Os produtos que recebem esse selo possuem melhor desempenho energético. Já o Selo Conpet é destinado aos aparelhos domésticos a gás. Com os selos, as autoridades competentes atestam que os fabricantes desenvolvem equipamentos mais eficientes e de menor impacto para o meio ambiente.

Alimentos
Esses produtos precisam ser produzidos da forma mais natural possível, com a mínima interferência de produtos sintéticos, sem o uso de agrotóxicos e de pesticidas químicos. Apesar de o Brasil já contar com a Lei dos Orgânicos, algumas certificadoras incluem outros critérios, como a quantidade de água usada na irrigação.

Veganos
A Sociedade Vegetariana Brasileira e a EcoCert possuem dois selos para alimentos orgânicos. O certificado Vegano é destinado para produtos que não utilizam ingredientes de origem animal. Já o Vegano Orgânico é para os alimentos que, além de excluir carne, leite, ovos, mel e seus derivados, eliminam ingredientes que tenham gelatina, colágeno e gorduras em sua composição. Os produtos com esses selos não são testados em animais.

Florestas
O selo FSC (Forest Stewardship Council Internacional) certifica produtos que valorizam princípios de sustentabilidade, viabilidade econômica, respeito às leis ambientais e às questões sociais. No Brasil, o Conselho Brasileiro de Manejo Florestal visa garantir o bom manejo das florestas, evitando, por exemplo, o desmatamento. As florestas são importantes no combate ao aquecimento global. O FSC existe em mais de 50 países. Estima-se que 80% da madeira explorada no mundo seja ilegal.

Para todos os setores
Criado pelo Instituto Life em julho deste ano, o selo é destinado para qualquer empresa que queira adotar padrões ambientais. O Instituto se dedica à gestão empresarial sustentável. O selo Life vale por cinco anos e conta com o apoio da ONU, da Convenção sobre Diversidade Biológica e do Ministério do Meio Ambiente.

Para conversar com a autora do texto, escreva para ctaroberta@gmail.com

Entrevista "New Yorker" - Joseph Stiglitz

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Em entrevista à prestigiada revista americana New Yorker, o estudioso Joseph Stiglitz, ex-economista-chefe do Banco Mundial, defende uma grande reestruturação da economia americana, colocando em prática o modelo sustentável, e diz que os Estados Unidos vão ficar muito tempo sem crescer. "Se o consumo interno está fraco, como verificamos agora, é impossível fazer a economia crescer de forma robusta", avalia. O economista é considerado um dos maiores críticos do capitalismo praticado nos dias de hoje.

"Precisamos gastar dinheiro nos grandes desafios, como a melhora da infraestrutura, dos serviços básicos de educação e saúde, além de reavaliarmos a política de energia."

"Boa parte da economia americana realmente precisa de reestruturação. Os princípios básicos da economia, o modo como encaramos o sistema econômico, estão baseados no século XIX. Eles não são apropriados para a realidade do século XXI. Antigamente, uma pessoa era dona do negócio. Se o negócio fosse mal, quebraria. A prejudicada seria ela mesma. Hoje em dia, as empresas são controladas por acionistas. Cada um possui uma parcela. A maior parte dos acionistas não conhece os executivos, aqueles que estão no comando, porque não participa da escolha. Caso a empresa quebre, todos vão para o buraco. O problema é que os dispositivos legais não refletem essa complexidade dos nossos tempos. Como consequência, os acionistas não podem, por exemplo, opinar, mesmo que sejam donos, em relação ao pagamento dos executivos em tempos de crise financeira."

"Saímos do fundo do poço. Mas é um erro dizer que estamos a caminho de um crescimento robusto. As pessoas simples não querem saber se saímos da recessão. O que elas querem é emprego."

"Acho provável que ficaremos sem crescer por muito tempo. É impossível crescer sem consumo. A população americana não tem dinheiro. Ela está sem dinheiro no banco. É difícil enxergar aumento no ato de poupar em um futuro próximo."

"Nós temos que dar o preço certo às coisas. O problema é que estamos tratando como se fosse de graça algo que é muito escasso, como a atmosfera, a natureza. Nós temos que fazer o mercado perceber a escassez do meio ambiente. Temos de dar os incentivos certos."

"Os mercados são centrais para o sucesso de qualquer economia. Só que é preciso que exista regulação. É preciso um constante revezamento entre governo e mercado. Nenhum governo tem a informação e a habilidade de controlar sozinho coisas complexas como a economia."



Não deixe de participar. Escreva para brunovdpt@hotmail.com e converse com Bruno Toranzo, o autor da publicação.

Tecnologia

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Franceses incentivam a popularização dos carros elétricos
Governo e empresários vão adquirir 50 mil veículos nos próximos meses.

Já foram lançados vários projetos de carros elétricos nos últimos anos. São inúmeros os protótipos desenvolvidos pelas grandes montadoras. Eles são mostrados em renomadas feiras internacionais de veículos. Com uma tecnologia que permite conectar a bateria na tomada comum de nossas casas para recarregar a engrenagem, os veículos elétricos fazem parte da solução para o problema do aquecimento global. O empecilho está na viabilidade financeira (justificativa tradicionalmente dada pelo setor automobilístico) da produção em larga escala.

Seja como for, o governo e os empresários franceses não estão interessados nesse histórico nebuloso. Nos próximos meses, empresas públicas e privadas e órgãos de Estado da França vão adquirir 50 mil veículos que dependem da eletricidade para se mover. Para complementar o incentivo, o país lançou o chamado Fundo Estratégico de Investimentos (FSI), dotado de 1,5 bilhão de euros, que investirá na produção de baterias e no aperfeiçoamento da tecnologia.

Paralelamente, o presidente Nicolas Sarkozy fechou parceria com um consórcio de empresas, como o grupo Renault-Nissan, para construir uma fábrica de baterias de lítio na cidade de Flins, local próximo de Paris. A intenção é fazer com que a capacidade do empreendimento seja de 50 mil baterias por ano em 2011 e de 250 mil em 2015.

O motor de combustão dos carros lança diariamente um volume preocupante de dióxido de carbono no ar. Considerado um gás do efeito estufa, o CO², ao lado de outros gases, é o responsável pelo aumento da temperatura média do planeta. O veículo elétrico, com a comercialização dos seus modelos, faria com que a fuligem preta que sai dos escapamentos virasse passado.

Converse com Bruno Toranzo, o autor do texto. Estou esperando a sua mensagem. Envie um e-mail para brunovdpt@hotmail.com

Documentário Zugzwang - Última Parte

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Assista ao final do documentário. Se você perdeu alguma parte, busque os vídeos nas publicações anteriores.

"Há um nível crescente de conscientização no mundo. As pessoas agora estão cientes desse problema e estão entendendo por que ele está ocorrendo. O que me dá uma base para um otimismo de que talvez as coisas venham a acontecer."

"Acho que precisa começar com as pessoas. Nós achamos muito conveniente culpar os governos, mas os nossos governos são eleitos por nós. Os governos funcionam de acordo com o que cobramos deles, e, por isso, acredito que temos que conscientizar as pessoas. Nós mesmos precisamos tomar atitudes, como indivíduos."

RAJENDRA PACHAURI
Prêmio Nobel da Paz e Presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)

"A globalização econômica permitiu a ganância e a destruição. A vida tem um sentido maior."

VANDANA SHIVA
Ambientalista e Filósofa

Documentário Zugzwang - 6ª Parte

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Não deixe de ver a penúltima parte do documentário.

"Precisamos encontrar um novo modelo de desenvolvimento, uma nova maneira de definir o que é qualidade de vida que pese menos sobre os recursos, mas, ainda assim, propicie dignidade e todos os tipos de oportunidade para as aspirações humanas."

THOMAS LOVEJOY
Biólogo e Ambientalista

"Estamos condenados a inventar um futuro diferente dos paradigmas falidos do passado. Temos que planejar e não ficar ao léu, vamos dizer, da anarquia dos mercados. Um desenvolvimento digno desse nome tem que se pautar por objetivos sociais e éticos e tem que reconhecer condicionalidades ecológicas. Um desenvolvimento socialmente includente e ambientalmente sustentável."

IGNACY SACHS
Economista e Sociólogo
Professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS, na sigla em francês)

Documentário Zugzwang - 5ª Parte

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Convidamos você para assistir ao documentário Zugzwang. Veja a quinta parte nesta publicação. Confira o que já passou nas publicações anteriores.

"Aqueles estômagos vazios não estão vazios por falta de alimento e sim por falta de poder aquisitivo."

IGNACY SACHS
Economista e Sociólogo
Professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS, na sigla em francês)

"Por que o preço dos alimentos dobrou da noite para o dia? A primeira razão, claro, é que os alimentos foram parar nas mãos dos especuladores globais. Especulação só pode estar ligada ao monopólio. A globalização e a OMC (Organização Mundial do Comércio) criaram sistemas monopolistas, em que cinco gigantes do comércio passaram a controlar o sistema de alimentos. Quando eles resolvem, empurram os preços para cima, ao mesmo em que atraem mais investimentos. E agora existem os fundos hedge, os bancos de investimento, todos querendo obter um lucro de 25% sobre os investimentos em itens de alimentação. Mas um lucro de 25% para os investidores significa alimentos 25% mais caros para os pobres, o que resulta na redução do direito à alimentação."

VANDANA SHIVA
Ambientalista e Filósofa

Documentário Zugzwang - 4ª Parte

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Veja a quarta parte do documentário.

"Nos Estados Unidos, o consumo de cereais subiu cerca de 12% e não porque as pessoas estejam comendo mais, mas porque mais cereais são desviados para os biocombustíveis. Eu acho que esse fenômeno dos EUA está tendo um impacto juntamente com o agronegócio, a especulação, os biocombustíveis e o aquecimento global causado pelos Estados Unidos, porque eles são os maiores poluidores, em termos de destruição climática. Se você olhar antentamente, estamos em uma situação em que a escassez de alimentos está sendo sentida por todos devido ao aumento dos preços, mas as causas estão concentradas em poucas mãos."

VANDANA SHIVA
Ambientalista e Filósofa

Documentário Zugzwang - 3ª Parte

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Não deixe de ver a terceira parte do documentário. Para assistir ao que já passou, busque os vídeos nas publicações anteriores.

“Uma biocivilização moderna é uma civilização que vai produzir alimentos, ração animal, adubo verde, energias, materiais de construção, matéria-prima para toda uma química verde, e você tem um mundo que se abre a nossa frente.”

IGNACY SACHS

Economista e Sociólogo
Professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS, na sigla em francês)

Documentário Zugzwang - 2ª Parte

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Confira a segunda parte do documentário:

“O impacto da mudança climática sobre os pobres é muito mais sério do que sobre os ricos. Se permitirmos que isso aconteça, as diferenças entre ricos e pobres vão se tornar ainda maiores.”

RAJENDRA PACHAURI
Prêmio Nobel da Paz e Presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)

Documentário Zugzwang

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Não deixe de assistir ao documentário Zugzwang. Desenvolvido pelo roteirista e diretor Duto Sperry, com a participação de especialistas brasileiros e estrangeiros de diferentes áreas, o resultado do trabalho é realmente incrível. Por meio de um ritmo de narração contagiante, o filme aborda a necessidade da transição da "velha economia", fundamentada no uso do petróleo como energia, para a "nova economia", baseada na utilização das energias renováveis, assunto que defendemos nas publicações deste blog e nos capítulos do livro em estágio de elaboração.

Além da mudança na matriz energética, os profissionais do Zugzwang, assim como nós pensamos, mostram que o modo de organização da sociedade tem de privilegiar o respeito ao ser humano, por meio do combate às formas de miséria e pobreza, e ao meio ambiente, através da preservação dos nossos recursos naturais. É a hora do planeta se mover para alterar o sistema econômico predatório em que vivemos sob pena de enfrentarmos dias realmente ruins no futuro.

Nos próximos dias, disponibilizaremos as sete partes do documentário. Veja a primeira a seguir:

Setor de plástico investirá R$ 7 milhões em campanha de defesa das sacolinhas

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Enquanto o comércio, com destaque para os supermercados, discute formas para substituir as sacolinhas plásticas, empresários do setor de plástico e petroquímico anunciaram o investimento de R$ 7 milhões em campanha publicitária para defender o uso do material. O objetivo da campanha será trabalhar com a reutilização e descarte apropriado dos sacos plásticos para não agredir o meio ambiente.

Contratada pelo Instituto Plastivida, pela Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) e pelo Instituto Nacional do Plástico (INP), a agência de publicidade W/Brasil vai mostrar as várias funções, além de carregar as compras do mercado, que a sacola plástica tem, principalmente aquelas no ambiente doméstico, como a de receber o lixo da casa.

Em contramão a uma crescente onda de leis municipais e estaduais que proíbem o uso do plástico para a fabricação de sacolas e defendem alternativas como a utilização de sacolas de pano para carregar as compras, a indústria petrolífera acredita na conscientização da população para o descarte adequado e programas de coleta seletiva eficientes que evitem a proibição do uso do material.

Aproveitando a entrevista coletiva à imprensa na última quarta, dia 10 de setembro, em São Paulo, as entidades responsáveis pela campanha apresentaram dados que comprovam que a queima de 1 kg de sacolas plásticas descartadas gera a mesma energia que a queima de 1 kg de óleo diesel.

Caso essa relação seja provada, estará travada uma longa batalha entre ambientalistas e fabricantes de plástico que defendem ideias contrárias de utilização e reaproveitamento de um material conhecido por ser tão poluente para a natureza.

Mande uma mensagem para Carolina Vertematti, autora do texto, no e-mail: carolvertematti@gmail.com

"Nova Economia" em pauta - Última Parte

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“O setor de energia está longe de ser o grande responsável pelas emissões”
Presidente da Empresa de Pesquisa Energética disse que participação do setor de energia na emissão de gases-estufa brasileira é de apenas 2,2%.

“No setor elétrico, os Estados Unidos emitem mais de 200 vezes a quantidade de gases-estufa quando comparados ao Brasil”, disse Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Ele fez a comparação como forma de mostrar que o setor energético nacional está longe de ser o grande responsável pela incômoda quinta posição brasileira entre os maiores emissores dos gases responsáveis pelo aumento da temperatura global. “A responsabilidade do desmatamento na emissão dos gases-estufa é de 60%. O setor de energia responde por meros 2,2%”, completou.

O presidente da EPE mostrou que as hidrelétricas, uma fonte limpa e renovável, geram 81% da energia do país. Já a queima do carvão, extremamente poluidor, uma fonte de energia fóssil, dá origem a outros 6%. No mundo, os números se invertem, já que 41% são advindos do carvão, e apenas 10% vêm das hidrelétricas. Para efeito de comparação, ele escolheu a poluidora China e o renovável, pelo menos em matéria de energia, Brasil. “Enquanto a China gera 40.000 GW pela queima de carvão, nós geramos 100.000 GW através de nossas hidrelétricas”, comparou.

“O Brasil só usou pouco mais de um terço do potencial hidrelétrico. Grande parte desse potencial está nos rios da região Norte. O Rio Madeira é um bom exemplo”, afirmou Tolmasquim. As usinas hidrelétricas causam poucos prejuízos ambientais e melhora a qualidade de vida dos moradores das áreas próximas. Ele lembrou que a usina de Belo Monte, que será erguida no rio Xingu, obrigará o vencedor da licitação a manter áreas de preservação ambiental e projetos sociais. A expectativa é de que a renda da região será multiplicada em até quatro vezes a partir de 2014, data de começo das operações.

Quanto ao leilão de energia realizado no ano passado, ocasião em que o governo privilegiou a contratação de termoelétricas, Tolmasquim disse que essa escolha foi uma situação isolada, sem possibilidade de se repetir, mas necessária. “Um país não pode depender exclusivamente da chuva. As termoelétricas vieram em um momento anterior à crise financeira, cuja expectativa de crescimento da economia, com aumento do gasto energético, era maior”, justificou.

Antigamente, as usinas hidrelétricas estocavam água para a utilização em momentos de emergência, de ausência de chuvas. Hoje em dia, depois das determinações ambientais, não se pode mais estocar. As novas usinas, que não guardam determinado volume de água, são chamadas de fio d’água. “Se não chover, não tem água. A partir do momento que os administradores percebem um leve esvaziamento do reservatório de uma usina hidrelétrica, eles imediatamente ligam as termos. Não se pode deixar o reservatório esvaziar por completo”, finalizou.

Para conversar com Bruno Toranzo, o autor do texto, envie uma mensagem para brunovdpt@hotmail.com

"Nova Economia" em pauta - 2ª Parte

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Diretor da Coppe chama a atenção para o potencial hídrico brasileiro
Mesmo sendo o país com o maior volume de água dos rios ao seu dispor no mundo, o Brasil ocupa apenas a quarta posição na quantidade de energia advinda das hidrelétricas.

Em suas primeiras palavras, o diretor da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, enfatizou que o Brasil é exemplo para o mundo em matéria de energia renovável. Com 45% de participação na geração da energia elétrica nacional, as fontes renováveis, com destaque para as hidrelétricas, colocam os brasileiros, na comparação com os outros países, na posição de liderança. Ainda segundo os slides mostrados pelo professor, o mundo utiliza apenas 10% da energia vinda de fontes limpas, e os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), somente 5%.

“O Brasil possui o maior potencial hídrico do mundo. Mas, em termos de hidrelétricas construídas, está atrás de outros países”, disse Rosa. Levando em conta os números de 2005 divulgados pela IEA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês), o Brasil aparece na quarta posição, com 71.060 MW de capacidade instalada, atrás de Canadá, Estados Unidos e a líder China, que possui 100.000 MW em funcionamento.

Para o professor, que exerce o cargo de secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudança Climática, o governo brasileiro está mudando sua posição em relação aos desafios ambientais. “O governo está mudando sua posição. A concordância com o perigo de aumento da temperatura em dois graus é uma indicação. O Brasil vai defender o princípio da responsabilidade comum, porém diferenciada”, afirmou.

Essa ideia consiste em responsabilizar os países ricos pela poluição causada pelo desenvolvimento da economia nos anos anteriores. Assim, os países em desenvolvimento, ao contrário dos desenvolvidos, não terão metas obrigatórias de redução, cabendo a eles sugerir a diminuição das emissões para os empresários locais.

Uma possibilidade interessante, segundo o professor, para diminuir as emissões dos gases-estufa é a utilização da energia elétrica advinda do lixo. “Utilizar o lixo para obter energia evita a emissão descontrolada de metano nos aterros sanitários”, garantiu. “O petróleo pré-sal tem um potencial enorme para financiar a adoção dos diferentes tipos de energia renovável”, completou.

No final da apresentação, Rosa mostrou alguns projetos que estão sendo desenvolvidos pelo instituto de engenharia da UFRJ. O protótipo do ônibus movido a hidrogênio, com autonomia de 100 km, está pronto. “Estamos aguardando o interesse dos empresários em adotar essa tecnologia no dia a dia”, disse. Já o trem de levitação magnética, com velocidade de 70 km/h, está prestes a ser construído pelos alunos da Coppe.

Na próxima publicação, você vai ler o que disse Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), durante o seminário.

Converse com o autor do texto. Envie uma mensagem para o e-mail do Bruno Toranzo: brunovdpt@hotmail.com

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Secretário estadual do Meio Ambiente critica governo federal e Petrobras
Para Francisco Graziano, o país não está comprometido com as questões do meio ambiente, e a Petrobras só começou a falar dos efeitos ambientais da exploração do pré-sal por pressão política.

Acompanhei ontem, quinta-feira, dia 10 de setembro, as discussões do III Seminário Créditos de Carbono e Mudanças Climáticas – Propostas e Desafios para a Sustentabilidade Ambiental, realizado no Hotel Renaissance em São Paulo. Além da presença do secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Francisco Graziano, foram convidados nomes de destaque do setor de energia, como o diretor da Coppe, instituto voltado para pesquisa na área de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Pinguelli Rosa, e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

A abertura do evento ficou sob responsabilidade do representante do governo estadual. Ele destacou que o governo federal tem um pensamento conservador por encarar as fontes energéticas renováveis como amarras ao crescimento econômico. “Não adianta defendermos metas arrojadas em Copenhague se continuarmos usando uma fonte de energia tão suja, advinda de um combustível fóssil, em nossos carros. Os escapamentos, com cerca de 90%, são os grandes responsáveis pela poluição das grandes cidades”, disse.

O secretário considera a crise ambiental uma possibilidade rentável de negócios. Em um primeiro momento, as iniciativas consideradas verdes só vão sobreviver se receberem ajuda do governo. “Para garantir escala de competição aos novos setores da economia, deverá haver subsídios do Estado. A economia fundamentada no petróleo tem mais de um século, uma estrutura, portanto, sólida”, afirmou.

Por falar em petróleo, Graziano manifestou preocupação com os prováveis prejuízos ambientais trazidos pela exploração das enormes jazidas do pré-sal, como a urbanização da Serra do Mar, região rica em recursos naturais que sofreria um processo predatório de extração do óleo recém-descoberto. “A Petrobras patrocina tudo. Ela quer se mostrar sustentável. Mas o pré-sal vai trazer muita poluição. Só passaram a discutir as conseqüências para o meio ambiente quando perceberam risco para a popularidade da futura candidatura Dilma (a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, muito provavelmente, será a candidata petista à presidência nas eleições do ano que vem)”, concluiu.

Leia outros trechos do discurso do secretário:

“Esse país se preocupa muito com a Amazônia e pouco com o restante do meio ambiente”;

“Discute-se muito qual será a meta brasileira (quanto podemos nos comprometer na diminuição das emissões em Copenhague), mas não sabemos nem quanto emitimos. Um assunto dessa natureza encontra uma base de dados extremamente frágil referente ao ano de 1990”;

“O Estado de São Paulo elaborou uma lei própria para definir metas setoriais de emissão. Enviamos para a Assembleia Legislativa para votação em caráter de urgência. A meta paulista é reduzir em 20% as emissões de carbono”;

“Aqui em São Paulo, nós não vamos licenciar termoelétricas, ao contrário do que está ocorrendo nos leilões realizados pelo governo federal”;

“No fundo, o que estamos discutindo é a possibilidade de uma nova economia, uma nova civilização. É preciso, sim, investir nas fontes renováveis”.

Nas próximas publicações, você vai conferir o que disseram os outros especialistas.

O autor Bruno Toranzo está disponível para conversar sobre o evento no e-mail: brunovdpt@hotmail.com