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Governo espanhol fará com que aviões aterrissem "de maneira verde"

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A manchete causa estranhamento. Mas é isso mesmo. A partir de 2010, todos os aviões que aterrissarem no território espanhol terão que adotar medidas para diminuir o consumo de combustível, o ruído das turbinas e a emissão de dióxido de carbono, o temido CO².

O procedimento chamado de “aterrissagem verde” é uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento e visa a redução do consumo de até 25 mil toneladas de combustível por ano, o que resultará em 75 mil toneladas a menos de gases responsáveis pelo aquecimento terrestre.

Para atingir a meta estipulada, as aeronaves vão se aproximar dos aeroportos planando com os motores em potência mínima. A princípio, somente os voos noturnos serão obrigados a adotar a medida. Com isso, ocorrerá uma redução no impacto sonoro dos aviões entre 4 e 6 decibéis, não incomodando as pessoas que moram em um raio de até 18 quilômetros da pista.

Converse com Carolina Vertematti, a autora do texto, mandando uma mensagem para o e-mail
carolvertematti@gmail.com

É com satisfação que anunciamos o livro "Economia Alternativa: Uma Nova Maneira de Organizar o Mundo"

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Durante sete meses deste ano, o grupo se dedicou à realização de um trabalho considerado decisivo para a formação em jornalismo. Unidos na tarefa de escrever sobre a nova economia, os autores e amigos Bruno Toranzo, Carolina Vertematti e Cinta Potelecki, ao entregar o livro Economia Alternativa: Uma Nova Maneira de Organizar o Mundo para os integrantes da banca de avaliação, concluíram um grande desafio. Leia abaixo a orelha da obra escrita pelo professor e orientador do TCC, também conhecido como "Trabalho de Conclusão de Curso", que brilhantemente descreveu o resultado da nossa aventura:

“Este livro é fruto de trabalho de pesquisa e de envolvimento de três jovens formandos que resolveram remar contra a maré e, ao invés de mergulharem em temas corriqueiros do dia a dia como esporte, cultura e lazer, internet e mídias sociais, preferiram explicar o que é economia, como ela nos atinge, como não podemos viver sem entendê-la e, mais do que tudo isso, quais características precisam ter a economia do futuro.

Os autores Bruno Toranzo, Carolina Vertematti e Cintia Potelecki nos mostram que é hora de mudança. Uma alteração brusca que recebe o nome de Economia Alternativa, já que não se pode mais aguentar os efeitos nocivos do sistema econômico convencional como a destruição do meio ambiente, com destaque para o aquecimento global; os movimentos inescrupulosos dos agentes financeiros, como a bolha no setor imobiliário americano que levou a economia praticamente ao colapso e a produção voltada para atender o consumo sem qualquer responsabilidade.

Mais do que nos levar a uma profunda reflexão sobre os rumos que a economia tomou, o livro nos deixa várias lições de como podemos, com gestos e ações simples que fazem parte do dia a dia, praticar o consumo responsável.

Abordar economia em um país de proporções continentais como o nosso não é fácil. Esse exercício requer, em primeiro lugar, preparo e conhecimento sobre as enormes diferenças de renda. Como falar de economia sem falar em dinheiro? Como falar de dinheiro sem falar em trabalho? Como falar de trabalho sem detalhar as classes sociais? Como falar de classes sociais sem tocar no problema do consumo desenfreado?

Ao discutirem o tema Economia Alternativa, o que esses três alunos do 8º Semestre do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo fazem é deixar que a economia tome conta das nossas conversas, seja assunto nas rodas de discussão. Há dicas imprescindíveis em uma linguagem simples e direta que nos leva a não só conhecer como adotar o consumo consciente, criativo e solidário.

A partir deste livro, quem sabe boa parte da população possa entender e praticar a economia com um novo olhar, a partir de uma nova perspectiva, marcada, principalmente, pelo respeito ao indivíduo, à sua comunidade e ao seu dinheiro”.

Prof. Rodolfo Bonventti
UMESP

Nova motocicleta Mavizen é movida à eletricidade e tem acesso à internet

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A fabricante inglesa de motocicletas Mavizen anunciou um novo modelo que promete ser revolucionário no quesito combustível. A TTX02 alcança uma velocidade de até 210 km/h, inclui computador com sistema Linux que tem acesso à internet. O problema está na autonomia, quando a bateria está completamente carregada, de apenas 65 km.

Os apaixonados já podem fazer a reserva e terão de desembolsar até R$ 100 mil pelo modelo, considerado arrojado e moderno, que começará a ser entregue em 2010. Só que eles terão de se preparar para uma "parada técnica", porque no meio da viagem será necessário encontrar uma tomada para carregar o veículo. Ao mesmo tempo em que a moto não polui e consome pouca energia, o motorista precisa estar atento para não ficar a pé.

Comente o post ou mande um e-mail para a autora Carolina Vertematti no endereço: carolvertematti@gmail.com

Documentário Zugzwang - Última Parte

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Assista ao final do documentário. Se você perdeu alguma parte, busque os vídeos nas publicações anteriores.

"Há um nível crescente de conscientização no mundo. As pessoas agora estão cientes desse problema e estão entendendo por que ele está ocorrendo. O que me dá uma base para um otimismo de que talvez as coisas venham a acontecer."

"Acho que precisa começar com as pessoas. Nós achamos muito conveniente culpar os governos, mas os nossos governos são eleitos por nós. Os governos funcionam de acordo com o que cobramos deles, e, por isso, acredito que temos que conscientizar as pessoas. Nós mesmos precisamos tomar atitudes, como indivíduos."

RAJENDRA PACHAURI
Prêmio Nobel da Paz e Presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)

"A globalização econômica permitiu a ganância e a destruição. A vida tem um sentido maior."

VANDANA SHIVA
Ambientalista e Filósofa

Documentário Zugzwang - 6ª Parte

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Não deixe de ver a penúltima parte do documentário.

"Precisamos encontrar um novo modelo de desenvolvimento, uma nova maneira de definir o que é qualidade de vida que pese menos sobre os recursos, mas, ainda assim, propicie dignidade e todos os tipos de oportunidade para as aspirações humanas."

THOMAS LOVEJOY
Biólogo e Ambientalista

"Estamos condenados a inventar um futuro diferente dos paradigmas falidos do passado. Temos que planejar e não ficar ao léu, vamos dizer, da anarquia dos mercados. Um desenvolvimento digno desse nome tem que se pautar por objetivos sociais e éticos e tem que reconhecer condicionalidades ecológicas. Um desenvolvimento socialmente includente e ambientalmente sustentável."

IGNACY SACHS
Economista e Sociólogo
Professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS, na sigla em francês)

Documentário Zugzwang - 5ª Parte

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Convidamos você para assistir ao documentário Zugzwang. Veja a quinta parte nesta publicação. Confira o que já passou nas publicações anteriores.

"Aqueles estômagos vazios não estão vazios por falta de alimento e sim por falta de poder aquisitivo."

IGNACY SACHS
Economista e Sociólogo
Professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS, na sigla em francês)

"Por que o preço dos alimentos dobrou da noite para o dia? A primeira razão, claro, é que os alimentos foram parar nas mãos dos especuladores globais. Especulação só pode estar ligada ao monopólio. A globalização e a OMC (Organização Mundial do Comércio) criaram sistemas monopolistas, em que cinco gigantes do comércio passaram a controlar o sistema de alimentos. Quando eles resolvem, empurram os preços para cima, ao mesmo em que atraem mais investimentos. E agora existem os fundos hedge, os bancos de investimento, todos querendo obter um lucro de 25% sobre os investimentos em itens de alimentação. Mas um lucro de 25% para os investidores significa alimentos 25% mais caros para os pobres, o que resulta na redução do direito à alimentação."

VANDANA SHIVA
Ambientalista e Filósofa

Documentário Zugzwang - 4ª Parte

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Veja a quarta parte do documentário.

"Nos Estados Unidos, o consumo de cereais subiu cerca de 12% e não porque as pessoas estejam comendo mais, mas porque mais cereais são desviados para os biocombustíveis. Eu acho que esse fenômeno dos EUA está tendo um impacto juntamente com o agronegócio, a especulação, os biocombustíveis e o aquecimento global causado pelos Estados Unidos, porque eles são os maiores poluidores, em termos de destruição climática. Se você olhar antentamente, estamos em uma situação em que a escassez de alimentos está sendo sentida por todos devido ao aumento dos preços, mas as causas estão concentradas em poucas mãos."

VANDANA SHIVA
Ambientalista e Filósofa

Documentário Zugzwang - 3ª Parte

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Não deixe de ver a terceira parte do documentário. Para assistir ao que já passou, busque os vídeos nas publicações anteriores.

“Uma biocivilização moderna é uma civilização que vai produzir alimentos, ração animal, adubo verde, energias, materiais de construção, matéria-prima para toda uma química verde, e você tem um mundo que se abre a nossa frente.”

IGNACY SACHS

Economista e Sociólogo
Professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS, na sigla em francês)

Documentário Zugzwang - 2ª Parte

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Confira a segunda parte do documentário:

“O impacto da mudança climática sobre os pobres é muito mais sério do que sobre os ricos. Se permitirmos que isso aconteça, as diferenças entre ricos e pobres vão se tornar ainda maiores.”

RAJENDRA PACHAURI
Prêmio Nobel da Paz e Presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)

Documentário Zugzwang

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Não deixe de assistir ao documentário Zugzwang. Desenvolvido pelo roteirista e diretor Duto Sperry, com a participação de especialistas brasileiros e estrangeiros de diferentes áreas, o resultado do trabalho é realmente incrível. Por meio de um ritmo de narração contagiante, o filme aborda a necessidade da transição da "velha economia", fundamentada no uso do petróleo como energia, para a "nova economia", baseada na utilização das energias renováveis, assunto que defendemos nas publicações deste blog e nos capítulos do livro em estágio de elaboração.

Além da mudança na matriz energética, os profissionais do Zugzwang, assim como nós pensamos, mostram que o modo de organização da sociedade tem de privilegiar o respeito ao ser humano, por meio do combate às formas de miséria e pobreza, e ao meio ambiente, através da preservação dos nossos recursos naturais. É a hora do planeta se mover para alterar o sistema econômico predatório em que vivemos sob pena de enfrentarmos dias realmente ruins no futuro.

Nos próximos dias, disponibilizaremos as sete partes do documentário. Veja a primeira a seguir:

"Nova Economia" em pauta - 2ª Parte

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Diretor da Coppe chama a atenção para o potencial hídrico brasileiro
Mesmo sendo o país com o maior volume de água dos rios ao seu dispor no mundo, o Brasil ocupa apenas a quarta posição na quantidade de energia advinda das hidrelétricas.

Em suas primeiras palavras, o diretor da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, enfatizou que o Brasil é exemplo para o mundo em matéria de energia renovável. Com 45% de participação na geração da energia elétrica nacional, as fontes renováveis, com destaque para as hidrelétricas, colocam os brasileiros, na comparação com os outros países, na posição de liderança. Ainda segundo os slides mostrados pelo professor, o mundo utiliza apenas 10% da energia vinda de fontes limpas, e os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), somente 5%.

“O Brasil possui o maior potencial hídrico do mundo. Mas, em termos de hidrelétricas construídas, está atrás de outros países”, disse Rosa. Levando em conta os números de 2005 divulgados pela IEA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês), o Brasil aparece na quarta posição, com 71.060 MW de capacidade instalada, atrás de Canadá, Estados Unidos e a líder China, que possui 100.000 MW em funcionamento.

Para o professor, que exerce o cargo de secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudança Climática, o governo brasileiro está mudando sua posição em relação aos desafios ambientais. “O governo está mudando sua posição. A concordância com o perigo de aumento da temperatura em dois graus é uma indicação. O Brasil vai defender o princípio da responsabilidade comum, porém diferenciada”, afirmou.

Essa ideia consiste em responsabilizar os países ricos pela poluição causada pelo desenvolvimento da economia nos anos anteriores. Assim, os países em desenvolvimento, ao contrário dos desenvolvidos, não terão metas obrigatórias de redução, cabendo a eles sugerir a diminuição das emissões para os empresários locais.

Uma possibilidade interessante, segundo o professor, para diminuir as emissões dos gases-estufa é a utilização da energia elétrica advinda do lixo. “Utilizar o lixo para obter energia evita a emissão descontrolada de metano nos aterros sanitários”, garantiu. “O petróleo pré-sal tem um potencial enorme para financiar a adoção dos diferentes tipos de energia renovável”, completou.

No final da apresentação, Rosa mostrou alguns projetos que estão sendo desenvolvidos pelo instituto de engenharia da UFRJ. O protótipo do ônibus movido a hidrogênio, com autonomia de 100 km, está pronto. “Estamos aguardando o interesse dos empresários em adotar essa tecnologia no dia a dia”, disse. Já o trem de levitação magnética, com velocidade de 70 km/h, está prestes a ser construído pelos alunos da Coppe.

Na próxima publicação, você vai ler o que disse Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), durante o seminário.

Converse com o autor do texto. Envie uma mensagem para o e-mail do Bruno Toranzo: brunovdpt@hotmail.com

"Nova Economia" em pauta

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Secretário estadual do Meio Ambiente critica governo federal e Petrobras
Para Francisco Graziano, o país não está comprometido com as questões do meio ambiente, e a Petrobras só começou a falar dos efeitos ambientais da exploração do pré-sal por pressão política.

Acompanhei ontem, quinta-feira, dia 10 de setembro, as discussões do III Seminário Créditos de Carbono e Mudanças Climáticas – Propostas e Desafios para a Sustentabilidade Ambiental, realizado no Hotel Renaissance em São Paulo. Além da presença do secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Francisco Graziano, foram convidados nomes de destaque do setor de energia, como o diretor da Coppe, instituto voltado para pesquisa na área de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Pinguelli Rosa, e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

A abertura do evento ficou sob responsabilidade do representante do governo estadual. Ele destacou que o governo federal tem um pensamento conservador por encarar as fontes energéticas renováveis como amarras ao crescimento econômico. “Não adianta defendermos metas arrojadas em Copenhague se continuarmos usando uma fonte de energia tão suja, advinda de um combustível fóssil, em nossos carros. Os escapamentos, com cerca de 90%, são os grandes responsáveis pela poluição das grandes cidades”, disse.

O secretário considera a crise ambiental uma possibilidade rentável de negócios. Em um primeiro momento, as iniciativas consideradas verdes só vão sobreviver se receberem ajuda do governo. “Para garantir escala de competição aos novos setores da economia, deverá haver subsídios do Estado. A economia fundamentada no petróleo tem mais de um século, uma estrutura, portanto, sólida”, afirmou.

Por falar em petróleo, Graziano manifestou preocupação com os prováveis prejuízos ambientais trazidos pela exploração das enormes jazidas do pré-sal, como a urbanização da Serra do Mar, região rica em recursos naturais que sofreria um processo predatório de extração do óleo recém-descoberto. “A Petrobras patrocina tudo. Ela quer se mostrar sustentável. Mas o pré-sal vai trazer muita poluição. Só passaram a discutir as conseqüências para o meio ambiente quando perceberam risco para a popularidade da futura candidatura Dilma (a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, muito provavelmente, será a candidata petista à presidência nas eleições do ano que vem)”, concluiu.

Leia outros trechos do discurso do secretário:

“Esse país se preocupa muito com a Amazônia e pouco com o restante do meio ambiente”;

“Discute-se muito qual será a meta brasileira (quanto podemos nos comprometer na diminuição das emissões em Copenhague), mas não sabemos nem quanto emitimos. Um assunto dessa natureza encontra uma base de dados extremamente frágil referente ao ano de 1990”;

“O Estado de São Paulo elaborou uma lei própria para definir metas setoriais de emissão. Enviamos para a Assembleia Legislativa para votação em caráter de urgência. A meta paulista é reduzir em 20% as emissões de carbono”;

“Aqui em São Paulo, nós não vamos licenciar termoelétricas, ao contrário do que está ocorrendo nos leilões realizados pelo governo federal”;

“No fundo, o que estamos discutindo é a possibilidade de uma nova economia, uma nova civilização. É preciso, sim, investir nas fontes renováveis”.

Nas próximas publicações, você vai conferir o que disseram os outros especialistas.

O autor Bruno Toranzo está disponível para conversar sobre o evento no e-mail: brunovdpt@hotmail.com

Novas reservas de petróleo

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O pré-sal traz preocupação com o meio ambiente
Mesmo com a expectativa de aumento da reserva de petróleo brasileiro em mais de quatro vezes, a exploração do novo óleo vai aumentar a emissão de gases-estufa.

As reservas gigantescas de petróleo descobertas no litoral brasileiro, entre os estados do Espírito Santo e de Santa Catarina, colocarão o país no grupo dos maiores produtores da commodity, palavra usada para designar os produtos primários negociados no mercado financeiro internacional. Por estar abaixo de uma extensa camada de sal, esse tipo de petróleo de maior qualidade é chamado de pré-sal. As estimativas dos estudos apontam para 60 bilhões de barris de óleo equivalente (a sigla é boe), o que inclui petróleo e gás natural, mais de quatro vezes superior à reserva total brasileira (14 bilhões de boe).

Na segunda-feira, último dia de agosto, o governo divulgou o novo sistema de exploração. Diferentemente do que era feito com o óleo comum, através do regime de concessão, quando as petrolíferas dos países desenvolvidos, como a americana Exxon Mobil e a britânica British Petroleum, dividiam a exploração dos campos de petróleo com a Petrobras, as novas regras, por meio do regime de partilha, definem que uma empresa 100% estatal, a Petro-Sal, será criada para coordenar as atividades, uma espécie de fiscalizadora da extração, além da Petrobras ter direito de explorar a fatia de 30% de todos os blocos do pré-sal.

Ou seja, pelas novas regras, a União é proprietária do petróleo extraído, e o investidor recebe uma parcela da produção. A ANP (Agência Nacional do Petróleo), antes responsável pela regularização e fiscalização da atividade, perde espaço. Sua função agora é realizar as licitações das áreas de extração.

O governo tem a intenção de utilizar a pomposa arrecadação para investir em educação, tecnologia e no combate à pobreza. Os recursos advindos do pré-sal serão enviados para todos os estados da federação de maneira igualitária, com exceção dos produtores, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, que, depois de uma reunião dos governadores dos três estados com o presidente Lula, conseguiram um valor maior.

O problema está no prejuízo ao meio ambiente que a comercialização de todo esse petróleo vai trazer. Em um momento de discussão sobre como diminuir as emissões de gases-estufa, o petróleo, uma matriz energética suja, causadora do aquecimento global, aumentará seu grau de importância na economia brasileira. De acordo com um estudo do Greenpeace, o país, caso explore todas as reservas estimadas do pré-sal, passará a emitir todos os anos mais de 1,3 bilhão de toneladas de dióxido de carbono (CO²). Mesmo que diminua a devastação da Floresta Amazônica, os brasileiros continuarão a ocupar as primeiras posições no ranking dos maiores emissores dos gases responsáveis pelo aumento drástico da temperatura do planeta.

Além da preocupação ambiental, o pré-sal traz outro desafio para o governo. O dinheiro arrecadado precisa ser efetivamente gasto em melhorias sociais. A ideia é criar um fundo voltado para os investimentos de caráter social, principalmente para a educação, já que mais de 14 milhões de brasileiros, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) realizada no ano de 2007, são analfabetos. Isso sem falar dos analfabetos funcionais, aqueles que leem um texto, mas não entendem a mensagem que o autor pretendeu passar.

Converse com Bruno Toranzo, o autor do texto. Mande uma mensagem para o seguinte e-mail: brunovdpt@hotmail.com