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Copenhague: esperança ou desilusão?

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O encontro de Copenhague só terá definições na metade do mês
Os primeiros dias de reunião vivem da expectativa quanto à chegada dos grandes líderes em meados de dezembro.

Apesar de terem começado na segunda-feira, dia 7 de dezembro, as discussões da COP-15, sigla que remete à conferência sobre o clima da ONU (Organização das Nações Unidas), devem esquentar somente em meados de dezembro. Na metade do mês, os grandes líderes, figuras carimbadas da política internacional, desembarcarão em Copenhague, a capital dinamarquesa, cidade que recebe o importante encontro.

A partir daí, espera-se que os países divulguem suas metas de redução de emissões. Por enquanto, nos primeiros dias de reunião, só há espaço para a expectativa. As certezas somente virão quando Barack Obama, o presidente americano, Hu Jintao, o presidente chinês, os representantes da União Europeia, como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, além do primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, efetivamente sentarem à mesa para conversar.

O jornal O Estado de S. Paulo publicou em seu site as principais declarações do primeiro dia de Copenhague. Confira algumas delas a seguir:

“Só espero que as pessoas em Copenhague não percam de vista o fato de que há oportunidades econômicas por aí. Isso está sendo vendido como uma dose de óleo de rícino que se tem de engolir, e não é verdade.” Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos.

“Já é evidente que não se assinará qualquer acordo jurídico importante.” Arkadi Dvorkovich, assessor econômico da presidência russa.

“Estou muito otimista sobre Copenhague. Todos os líderes concordam que temos o mesmo objetivo, que é combater o aquecimento global. Então, creio que chegaremos a um acordo e acredito que ele será assinado por todos os países membros da ONU, o que seria um fato histórico.” Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas.

“É evidente que o mundo se beneficiaria enormemente com uma ação precoce. O adiamento apenas levaria a custos em termos humanos e econômicos que se tornarão cada vez mais altos.” Rajendra Pachauri, chefe do painel de cientistas do clima das Nações Unidas.

“Mesmo que não se chegue a um acordo sobre tudo, e não vai se chegar, uma base sólida será feita. Por isso, a conferência em Copenhague não será um fracasso.” Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente do Brasil.

“Temos de fazer todos os países reconhecerem que eles precisam ser tão ambiciosos como prometeram. Não é mais suficiente dizer ‘posso fazer isso, talvez eu faça isso’. Quero criar uma situação na qual a União Europeia seja persuadida a defender os 30% (quanto à redução das emissões).” Gordon Brown, primeiro-ministro britânico.

Para conversar com Bruno Toranzo, o autor da publicação, não hesite em enviar suas mensagens para brunovdpt@hotmail.com

"Tô no Clima": mobilização pela redução das emissões dos gases-estufa

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Foto: Divulgação
Uma boa opção de passeio para esse domingo. Às vésperas do encontro de Copenhague, a campanha TicTacTicTac vai promover amanhã, dia 6 de dezembro, o evento "Tô no Clima" no Parque do Ibirapuera.

O objetivo é mobilizar e conscientizar a população para a importância, bem como a urgência, de combatermos os motivos da mudança climática. É também uma forma de pressionar as lideranças políticas que estarão na COP-15. O evento, que será gratuito, vai contar com shows e atividades educativas.

Entre as atrações, estão as músicas dos artistas Zélia Duncan, Mariana Aydar, Simoninha e Gabriel, o Pensador. As apresentações serão intercaladas com depoimentos de lideranças políticas, celebridades e pessoas que foram vítimas das alterações do clima.

O evento ainda vai contar com oficinas sobre temas socioambientais, exibição de filmes, pinturas de rosto para as crianças, contadores de histórias e totens para medir a pegada ecológica de quem estiver passeando pelo Parque. Sem falar das atrativas atividades educativas e lúdicas desenvolvidas por ONGs que trabalham para combater o aquecimento global.

Tô no Clima
Data: 6 de dezembro
Horário: das 10h às 18h
Local: Parque do Ibirapuera
Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral - São Paulo/SP
Entrada gratuita

Para mandar uma mensagem para Cintia Roberta, a autora do texto, escreva para ctaroberta@gmail.com

É hora de solução em Copenhague

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ONGs pressionam líderes globais por arrojado acordo do clima
Greenpeace e TicTacTicTac espalharam cartazes pelo aeroporto de Copenhague, capital da Dinamarca, cidade que sediará o próximo encontro das Nações Unidas.

A conferência do clima das Nações Unidas começa no dia 7 de dezembro, ou seja, na próxima segunda-feira. Mais de 100 chefes de Estado e de governo confirmaram presença. Um encontro gigantesco que reunirá os grandes responsáveis pelo aquecimento terrestre. Faz um bom tempo que os mais brilhantes cientistas chamam a atenção para o aumento da temperatura do planeta, o que está causando, entre outros problemas, o derretimento das geleiras.

Como forma de pressionar os personagens políticos pela assinatura de um arrojado acordo de diminuição dos gases-estufa, as ONGs Greenpeace e TicTacTicTac, uma organização americana, espalharam cartazes pelo aeroporto de Copenhague em que os líderes, já no ano de 2020, estão arrependidos por não terem tomado as devidas atitudes.

Lula, Obama, Zapatero, o primeiro-ministro espanhol, e Medvedev, o presidente russo, estão bem mais velhos, com cabelo branco e semblante preocupado. A seguinte mensagem, escrita em inglês, aparece ao lado das imagens: “I´m sorry. We could have stopped catastrophic climate change... We didn´t” (em português: “Desculpe-me. Nós poderíamos ter interrompido a catastrófica mudança climática... Mas não fizemos”).


O que o mundo espera é que o arrependimento fique tão somente na campanha publicitária. Daqui a alguns anos, a expectativa, se tudo ocorrer conforme os otimistas defensores do meio ambiente aguardam, é de estarmos quase livres da dependência do carbono. A economia tem de encontrar outra maneira de se mover. Tomara que realmente seja o fim da hegemonia dos combustíveis fósseis.

Escreva para Bruno Toranzo, o autor da publicação. Mande quantas mensagens desejar para brunovdpt@hotmail.com

É com satisfação que anunciamos o livro "Economia Alternativa: Uma Nova Maneira de Organizar o Mundo"

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Durante sete meses deste ano, o grupo se dedicou à realização de um trabalho considerado decisivo para a formação em jornalismo. Unidos na tarefa de escrever sobre a nova economia, os autores e amigos Bruno Toranzo, Carolina Vertematti e Cinta Potelecki, ao entregar o livro Economia Alternativa: Uma Nova Maneira de Organizar o Mundo para os integrantes da banca de avaliação, concluíram um grande desafio. Leia abaixo a orelha da obra escrita pelo professor e orientador do TCC, também conhecido como "Trabalho de Conclusão de Curso", que brilhantemente descreveu o resultado da nossa aventura:

“Este livro é fruto de trabalho de pesquisa e de envolvimento de três jovens formandos que resolveram remar contra a maré e, ao invés de mergulharem em temas corriqueiros do dia a dia como esporte, cultura e lazer, internet e mídias sociais, preferiram explicar o que é economia, como ela nos atinge, como não podemos viver sem entendê-la e, mais do que tudo isso, quais características precisam ter a economia do futuro.

Os autores Bruno Toranzo, Carolina Vertematti e Cintia Potelecki nos mostram que é hora de mudança. Uma alteração brusca que recebe o nome de Economia Alternativa, já que não se pode mais aguentar os efeitos nocivos do sistema econômico convencional como a destruição do meio ambiente, com destaque para o aquecimento global; os movimentos inescrupulosos dos agentes financeiros, como a bolha no setor imobiliário americano que levou a economia praticamente ao colapso e a produção voltada para atender o consumo sem qualquer responsabilidade.

Mais do que nos levar a uma profunda reflexão sobre os rumos que a economia tomou, o livro nos deixa várias lições de como podemos, com gestos e ações simples que fazem parte do dia a dia, praticar o consumo responsável.

Abordar economia em um país de proporções continentais como o nosso não é fácil. Esse exercício requer, em primeiro lugar, preparo e conhecimento sobre as enormes diferenças de renda. Como falar de economia sem falar em dinheiro? Como falar de dinheiro sem falar em trabalho? Como falar de trabalho sem detalhar as classes sociais? Como falar de classes sociais sem tocar no problema do consumo desenfreado?

Ao discutirem o tema Economia Alternativa, o que esses três alunos do 8º Semestre do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo fazem é deixar que a economia tome conta das nossas conversas, seja assunto nas rodas de discussão. Há dicas imprescindíveis em uma linguagem simples e direta que nos leva a não só conhecer como adotar o consumo consciente, criativo e solidário.

A partir deste livro, quem sabe boa parte da população possa entender e praticar a economia com um novo olhar, a partir de uma nova perspectiva, marcada, principalmente, pelo respeito ao indivíduo, à sua comunidade e ao seu dinheiro”.

Prof. Rodolfo Bonventti
UMESP

Os chineses estão no caminho errado

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A China optou pelo modelo de desenvolvimento do passado
O governo leva em consideração tão somente o crescimento econômico. A exemplo do que fizeram os países desenvolvidos, a China não quer saber de respeito ambiental e preocupação social.

As minas de carvão chinesas estão longe de serem seguras. Somente no ano passado, foram mais de 3 mil mortes em acidentes de trabalho. Os desabamentos, as inundações e as explosões são as principais causas do alto índice de mortalidade. A última tragédia ocorreu no nordeste do país. De acordo com a mídia estatal, mais de 100 pessoas morreram de forma quase instantânea.

Esses acidentes poderiam ser perfeitamente evitados. Na ânsia de produzir energia com rapidez, já que o governo tem por objetivo dar conta da demanda crescente trazida pelo robusto crescimento econômico, as medidas de segurança ficam de lado. Como o mundo inteiro sabe, os chineses têm no carvão sua principal fonte de energia, uma presença quase hegemônica na geração elétrica.

A verdade é que a China não cresce de maneira sustentável. Podemos chamar o modelo chinês, a exemplo do que ocorreu com a maior parte das nações desenvolvidas, de doentio. Apesar de se tornar cada vez mais forte, sob todos os aspectos de análise, no cenário internacional, esse gigante não faz questão de instaurar uma nova forma de desenvolvimento, fundamentada no respeito ao meio ambiente e às pessoas.

Mesmo que a economia chinesa cresça de uma maneira espetacular, ao avaliar os números referentes ao PIB (Produto Interno Bruto), não se pode dizer, muito longe disso, que a população goza de boas condições de vida. A evolução do PIB, a soma das riquezas produzidas e dos serviços disponibilizados por um país, de um ano para o outro não leva em conta os prejuízos ambientais e sociais causados para que se conseguisse tal aumento.

Ao olhar apenas para o PIB, a renda média real não pode ser medida. Como em tantos lugares do planeta, a sociedade chinesa é extremamente desigual. Ou seja: poucos ganham muito, e muitos ganham pouco. Isso pode ser constatado na diferença entre as regiões chinesas. Algumas cidades movimentam uma soma gigantesca de recursos financeiros, o que não significa que as pessoas, na média, vivam bem. Por outro lado, outras não são do interesse dos investidores. A ausência do mercado faz com que tenham índices de miséria preocupantes.

É por isso que muitos especialistas, com destaque para o economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel, defendem que o PIB não seja o único medidor da riqueza de um país. Quem investe (refiro-me aos empresários que efetivamente investem para criar empregos e aumentar a renda da população; não estou falando dos inescrupulosos especuladores) e aposta na seriedade de um país precisa, para Stiglitz e sua turma, avaliar as condições de vida dos habitantes. Temos de parabenizar iniciativas como essa, porque serão importantes para que uma nova economia seja finalmente possível.

Por fim, para piorar a avaliação do desenvolvimento chinês, o governo, centralizado na figura do Partido Comunista, tenta desesperadamente manter seus cidadãos longe das fontes de informação. Em território do falecido líder Mao Tsé-Tung, não se pode discordar. Não há espaço para discussões. A visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como forma de melhorar as relações entre os dois países, resultou em um exemplo do controle sobre as pessoas exercido pelos governantes chineses. Ao se encontrar com estudantes escolhidos a dedo pelos dirigentes comunistas, Obama precisou responder indagações que evidenciavam uma linha favorável ao regime.

Como já dissemos em publicações anteriores, a China não vai se comprometer com a redução das emissões dos gases de efeito estufa no encontro de Copenhague a ser realizado no começo do próximo mês. Infelizmente, os chineses já mostraram que não vão inaugurar um novo modelo de crescimento. Eles optaram pelo passado com o agravante de impedir, por meio da violência em muitos casos, a disseminação de qualquer posicionamento contrário à escolha.

Para conversar com Bruno Toranzo, o autor do texto, envie quantas mensagens desejar para brunovdpt@hotmail.com

Indecisão em Copenhague

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O acordo do clima deve ficar para depois
Os países não conseguem se entender. Já se fala em compromisso bilateral entre os maiores poluidores como forma de escapar da pressão internacional pelo fim da dependência do carbono.

“Se houver vontade política, estou certo de que há um caminho para concluirmos um acordo em Copenhague”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, no começo de novembro. Ou seja, a julgar pelo ritmo moroso das negociações, não teremos decisão alguma, entre os dias 7 e 18 de dezembro, na capital da Dinamarca. Os países, com exceção da França, não demonstram comprometimento para adotar medidas que atenuem o aquecimento terrestre.

Os Estados Unidos provavelmente chegarão ao encontro sem metas concretas. Mais uma vez, como ocorreu no Protocolo de Kyoto, os americanos relutam em assumir sua imensa responsabilidade no problema. Até agora, o Senado não aprovou o projeto de lei, chamado, em alusão aos sobrenomes dos parlamentares que o criaram, de Waxman-Markey, que fixa a redução das emissões de gases-estufa em 20% até 2020, utilizando como base os polêmicos níveis de 2005.

Para o Greenpeace, trata-se de um corte insuficiente. Na verdade, muito longe de ser suficiente. Ao considerar a porcentagem original de diminuição (a Câmara aprovou 17%; o Senado colocou mais 3%), isso equivale a uma redução de meros 4% em relação a 1990. O investimento em fontes renováveis também faz parte do projeto. De acordo com o documento de 1.200 páginas, cuja votação está completamente parada, as geradoras de energia elétrica terão de dar conta de 20% da demanda por meio de fontes renováveis, como solar e eólica, até 2020.

“Não está certo a União Europeia assumir a responsabilidade e os demais não”, criticou a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. A União Europeia tem várias propostas para apresentar. Como disse Merkel, o grau de comprometimento dependerá dos demais. Caso os europeus sintam que o acordo deste fim de ano será levado a sério pelos participantes, eles vão se comprometer a reduzir em 95% suas emissões em 40 anos. O bloco de 27 países tem como objetivo, independentemente do que faça o restante do mundo, diminuir em 20% as emissões nas próximas duas décadas. Ao contrário dos americanos, a UE leva em conta o ano de 1990 como base de comparação.

A China, assim como a Índia, não concorda que os países emergentes tenham metas obrigatórias. Com uma matriz energética extremamente suja, baseada no uso intenso de carvão, os chineses já ultrapassaram os Estados Unidos em termos de emissão dos gases do efeito estufa. Recentemente, o governo divulgou que pretende estimular as ações de baixo carbono, além de ampliar em 15% o uso de energias renováveis nos próximos 20 anos.

“Não temos o direito de permitir que o presidente Obama e que o presidente Hu Jintao (China) façam um acordo com base apenas nas realidades políticas e econômicas dos dois países”, defendeu Lula em encontro com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Os chineses e americanos são responsáveis por 40% das emissões dos gases que aumentam a temperatura terrestre. Eles cogitam a assinatura de um acordo bilateral para fugir da cobrança internacional por metas arrojadas de diminuição da dependência do carbono.

Converse com Bruno Toranzo, o autor do texto. Basta enviar quantas mensagens desejar para brunovdpt@hotmail.com

França: carros elétricos estarão nas ruas até 2020

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Foto: Divulgação
OS 14 MANDAMENTOS
1) Pontos de recarga até 2010;
2) Veículos elétricos nos novos projetos das cidades;

3) Ajudar as universidades a desenvolver baterias elétricas;
4) Comprar 100 mil carros elétricos até 2015;
5) Subsidiar em 5 mil euros cada veículo elétrico;
6) Carros elétricos carregados em qualquer tomada;
7) Após 2012: prédios novos devem ter ponto de recarga;
8) Instalar pontos de recarga em prédios antigos;
9) Até 2015: todo prédio deve ter pontos de recarga;
10) Usar o padrão europeu de tomadas;
11) Governos locais devem criar pontos de recarga;
12) Organizar a distribuição da rede de recarga;
13) Nenhuma fonte fóssil deve ser usada para gerar energia;
14) Promover a reciclagem de baterias.

Os mandamentos fazem parte do plano do governo francês para garantir, pelo menos, dois milhões de carros elétricos nas ruas até 2020. O plano foi apresentado pelo ministro de ecologia e energia, Jean-Louis Borloo, e pelo ministro de indústria, Christian Estrosi, no mês passado. Para atingir a meta, o governo pensa em veículos que sejam viáveis financeiramente para a população.

Os primeiros modelos “made in France” chegam ao mercado ano que vem com um bônus de 5 mil euros para compra. Essa ajuda é válida para os veículos que emitam menos de 60 gramas de CO² por quilômetro. O governo planeja ter uma frota de 100 mil veículos elétricos até 2015.

Devem ser construídos 4,4 milhões de pontos de recarga nas ruas até 2020. Para isso, será necessário um investimento de mais de 4 bilhões de euros, além do reforço da rede pública de energia, para suportar a demanda. Os prédios residenciais e comerciais, construídos após 2012, terão de ter, obrigatoriamente, pontos de recarga. O governo também espera a participação de shoppings e hotéis.

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Brasil em Copenhague

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A 33 dias de Copenhague, governo brasileiro ainda não tem proposta
O país tem condições de mostrar ao mundo que crescimento econômico não depende necessariamente de emissão descontrolada de carbono.

Faltam pouco mais de 30 dias para o encontro de Copenhague. A capital da Dinamarca será a sede do que pode ser perfeitamente considerado um dos compromissos mais importantes da agenda internacional ao longo da história. Os países vão tentar chegar a um acordo a respeito do tão prejudicado meio ambiente, o que envolve redução das emissões dos gases-estufa e controle do desmatamento.

O governo brasileiro ainda não sabe qual proposta levará. Ontem, terça-feira, a reunião entre o presidente Lula e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Carlos Minc (Meio Ambiente), Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e Celso Amorim (Relações Exteriores) não chegou a uma conclusão. O que está garantido, por enquanto, é o comprometimento em diminuir em 80% o desmatamento da Amazônia até 2020.

Como se sabe, a manutenção da mata faz com que o carbono fique retido no solo. Essa meta em relação à floresta Amazônica garante uma redução das emissões em 20% ou 580 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Mas o Ministério do Meio Ambiente defende que o Brasil tem condições de dobrar esse número. O ministro Carlos Minc quer que o país reduza em 40% suas emissões até o ano de 2020.

O receio de parte do governo, com destaque para o Ministério da Ciência e Tecnologia e do próprio Itamaraty, é que o país se comprometa com um número considerado arrojado para uma economia emergente, sem que os desenvolvidos expressem a mesma preocupação.

A ideia da responsabilidade histórica culpa os ricos, como os Estados Unidos, Japão e União Europeia, pelos danos causados ao meio ambiente durante o processo de desenvolvimento, especialmente quanto ao aumento da temperatura terrestre. Assim, os americanos, japoneses e europeus, de acordo com essa maneira de pensar o aquecimento global, devem tomar a dianteira nos esforços para contornar a situação.

Ao mesmo tempo, o grupo em desenvolvimento, como Brasil, Índia e China, está lançando volumes crescentes de gases-estufa na atmosfera. Trata-se do mesmo percurso daqueles que poluíram lá atrás. Os Estados Unidos não participaram do Protocolo de Kyoto e não chegam a um consenso sobre o assunto, porque argumentam que os emergentes têm de assumir metas de redução. Os chineses e indianos são radicalmente contra o estabelecimento de uma política obrigatória de redução para aqueles que entraram somente agora em franco processo de crescimento.

A verdade é que as economias com grande potencial, o que inclui a nossa, deveriam se preocupar em deixar para trás essa relação entre carbono e desenvolvimento. Daqui a alguns dias, em solo dinamarquês, os representantes brasileiros precisam apresentar uma proposta que incite outros países a participar de verdade da luta pela manutenção da vida. Não se trata de limitar o desenvolvimento. Estamos, na verdade, inaugurando o ciclo da evolução econômica verde. Caso façamos isso, faremos justiça com a terra maravilhosa, repleta de belezas naturais, que temos o privilégio de gozar.

Converse com Bruno Toranzo, o autor do texto. Envie quantas mensagens desejar para brunovdpt@hotmail.com

Entrevista "New Yorker" - Joseph Stiglitz

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Em entrevista à prestigiada revista americana New Yorker, o estudioso Joseph Stiglitz, ex-economista-chefe do Banco Mundial, defende uma grande reestruturação da economia americana, colocando em prática o modelo sustentável, e diz que os Estados Unidos vão ficar muito tempo sem crescer. "Se o consumo interno está fraco, como verificamos agora, é impossível fazer a economia crescer de forma robusta", avalia. O economista é considerado um dos maiores críticos do capitalismo praticado nos dias de hoje.

"Precisamos gastar dinheiro nos grandes desafios, como a melhora da infraestrutura, dos serviços básicos de educação e saúde, além de reavaliarmos a política de energia."

"Boa parte da economia americana realmente precisa de reestruturação. Os princípios básicos da economia, o modo como encaramos o sistema econômico, estão baseados no século XIX. Eles não são apropriados para a realidade do século XXI. Antigamente, uma pessoa era dona do negócio. Se o negócio fosse mal, quebraria. A prejudicada seria ela mesma. Hoje em dia, as empresas são controladas por acionistas. Cada um possui uma parcela. A maior parte dos acionistas não conhece os executivos, aqueles que estão no comando, porque não participa da escolha. Caso a empresa quebre, todos vão para o buraco. O problema é que os dispositivos legais não refletem essa complexidade dos nossos tempos. Como consequência, os acionistas não podem, por exemplo, opinar, mesmo que sejam donos, em relação ao pagamento dos executivos em tempos de crise financeira."

"Saímos do fundo do poço. Mas é um erro dizer que estamos a caminho de um crescimento robusto. As pessoas simples não querem saber se saímos da recessão. O que elas querem é emprego."

"Acho provável que ficaremos sem crescer por muito tempo. É impossível crescer sem consumo. A população americana não tem dinheiro. Ela está sem dinheiro no banco. É difícil enxergar aumento no ato de poupar em um futuro próximo."

"Nós temos que dar o preço certo às coisas. O problema é que estamos tratando como se fosse de graça algo que é muito escasso, como a atmosfera, a natureza. Nós temos que fazer o mercado perceber a escassez do meio ambiente. Temos de dar os incentivos certos."

"Os mercados são centrais para o sucesso de qualquer economia. Só que é preciso que exista regulação. É preciso um constante revezamento entre governo e mercado. Nenhum governo tem a informação e a habilidade de controlar sozinho coisas complexas como a economia."



Não deixe de participar. Escreva para brunovdpt@hotmail.com e converse com Bruno Toranzo, o autor da publicação.

Brasil e Bélgica discutem parceria econômica e apoio às causas ambientais

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Em visita à cidade de Bruxelas, capital da Bélgica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Herman van Rompuy, primeiro-ministro do governo belga, com a intenção de buscar apoio para o desenvolvimento dos países mais pobres, sem esquecer da preservação do planeta.

No discurso, Lula afirmou ter poder para exigir dos países ricos mais atenção às causas ambientais. “Assumimos uma posição de liderança que nos permitirá cobrar de todos, especialmente dos mais ricos, metas de redução claras e ambiciosas”, destacou Lula.

Entre os assuntos em pauta, a luta pelas causas ambientais foi destaque na reunião. No domingo, 4 de outubro, Lula disse ver no país europeu um aliado para a parceria que o Brasil e a União Europeia pretendem firmar na 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15), que será realizada em dezembro na Dinamarca.

Ele ainda ressaltou que os projetos de produção de etanol e biocombustíveis têm uma tecnologia limpa, segura e eficiente, capazes de assumir as responsabilidades do Brasil frente ao aquecimento com um programa de reflorestamento de mais de 300 mil hectares na Amazônia.

Para Yves Leterme, ministro belga das Relações Exteriores, o Brasil será um parceiro importante também para o comércio. "Em 2008, a Bélgica importou 2,9 bilhões de euros em produtos brasileiros e exportou 1,9 bilhão em produtos belgas", lembrou.

Segundo o ministro, essa união trará muitas oportunidades para os dois países. “Nós também oferecemos grandes oportunidades e alta qualidade de vida, mesmo que não possamos competir com o sol e as praias brasileiras", finalizou Leterme.

Não deixe de comentar esse post ou, se preferir, mande uma mensagem para a autora Carolina Vertematti no e-mail:
carolvertematti@gmail.com

Documentário Zugzwang - Última Parte

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Assista ao final do documentário. Se você perdeu alguma parte, busque os vídeos nas publicações anteriores.

"Há um nível crescente de conscientização no mundo. As pessoas agora estão cientes desse problema e estão entendendo por que ele está ocorrendo. O que me dá uma base para um otimismo de que talvez as coisas venham a acontecer."

"Acho que precisa começar com as pessoas. Nós achamos muito conveniente culpar os governos, mas os nossos governos são eleitos por nós. Os governos funcionam de acordo com o que cobramos deles, e, por isso, acredito que temos que conscientizar as pessoas. Nós mesmos precisamos tomar atitudes, como indivíduos."

RAJENDRA PACHAURI
Prêmio Nobel da Paz e Presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)

"A globalização econômica permitiu a ganância e a destruição. A vida tem um sentido maior."

VANDANA SHIVA
Ambientalista e Filósofa

Documentário Zugzwang - 6ª Parte

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Não deixe de ver a penúltima parte do documentário.

"Precisamos encontrar um novo modelo de desenvolvimento, uma nova maneira de definir o que é qualidade de vida que pese menos sobre os recursos, mas, ainda assim, propicie dignidade e todos os tipos de oportunidade para as aspirações humanas."

THOMAS LOVEJOY
Biólogo e Ambientalista

"Estamos condenados a inventar um futuro diferente dos paradigmas falidos do passado. Temos que planejar e não ficar ao léu, vamos dizer, da anarquia dos mercados. Um desenvolvimento digno desse nome tem que se pautar por objetivos sociais e éticos e tem que reconhecer condicionalidades ecológicas. Um desenvolvimento socialmente includente e ambientalmente sustentável."

IGNACY SACHS
Economista e Sociólogo
Professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS, na sigla em francês)

Documentário Zugzwang - 5ª Parte

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Convidamos você para assistir ao documentário Zugzwang. Veja a quinta parte nesta publicação. Confira o que já passou nas publicações anteriores.

"Aqueles estômagos vazios não estão vazios por falta de alimento e sim por falta de poder aquisitivo."

IGNACY SACHS
Economista e Sociólogo
Professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS, na sigla em francês)

"Por que o preço dos alimentos dobrou da noite para o dia? A primeira razão, claro, é que os alimentos foram parar nas mãos dos especuladores globais. Especulação só pode estar ligada ao monopólio. A globalização e a OMC (Organização Mundial do Comércio) criaram sistemas monopolistas, em que cinco gigantes do comércio passaram a controlar o sistema de alimentos. Quando eles resolvem, empurram os preços para cima, ao mesmo em que atraem mais investimentos. E agora existem os fundos hedge, os bancos de investimento, todos querendo obter um lucro de 25% sobre os investimentos em itens de alimentação. Mas um lucro de 25% para os investidores significa alimentos 25% mais caros para os pobres, o que resulta na redução do direito à alimentação."

VANDANA SHIVA
Ambientalista e Filósofa

Documentário Zugzwang - 4ª Parte

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Veja a quarta parte do documentário.

"Nos Estados Unidos, o consumo de cereais subiu cerca de 12% e não porque as pessoas estejam comendo mais, mas porque mais cereais são desviados para os biocombustíveis. Eu acho que esse fenômeno dos EUA está tendo um impacto juntamente com o agronegócio, a especulação, os biocombustíveis e o aquecimento global causado pelos Estados Unidos, porque eles são os maiores poluidores, em termos de destruição climática. Se você olhar antentamente, estamos em uma situação em que a escassez de alimentos está sendo sentida por todos devido ao aumento dos preços, mas as causas estão concentradas em poucas mãos."

VANDANA SHIVA
Ambientalista e Filósofa

Documentário Zugzwang - 3ª Parte

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Não deixe de ver a terceira parte do documentário. Para assistir ao que já passou, busque os vídeos nas publicações anteriores.

“Uma biocivilização moderna é uma civilização que vai produzir alimentos, ração animal, adubo verde, energias, materiais de construção, matéria-prima para toda uma química verde, e você tem um mundo que se abre a nossa frente.”

IGNACY SACHS

Economista e Sociólogo
Professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS, na sigla em francês)

Documentário Zugzwang - 2ª Parte

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Confira a segunda parte do documentário:

“O impacto da mudança climática sobre os pobres é muito mais sério do que sobre os ricos. Se permitirmos que isso aconteça, as diferenças entre ricos e pobres vão se tornar ainda maiores.”

RAJENDRA PACHAURI
Prêmio Nobel da Paz e Presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)

Documentário Zugzwang

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Não deixe de assistir ao documentário Zugzwang. Desenvolvido pelo roteirista e diretor Duto Sperry, com a participação de especialistas brasileiros e estrangeiros de diferentes áreas, o resultado do trabalho é realmente incrível. Por meio de um ritmo de narração contagiante, o filme aborda a necessidade da transição da "velha economia", fundamentada no uso do petróleo como energia, para a "nova economia", baseada na utilização das energias renováveis, assunto que defendemos nas publicações deste blog e nos capítulos do livro em estágio de elaboração.

Além da mudança na matriz energética, os profissionais do Zugzwang, assim como nós pensamos, mostram que o modo de organização da sociedade tem de privilegiar o respeito ao ser humano, por meio do combate às formas de miséria e pobreza, e ao meio ambiente, através da preservação dos nossos recursos naturais. É a hora do planeta se mover para alterar o sistema econômico predatório em que vivemos sob pena de enfrentarmos dias realmente ruins no futuro.

Nos próximos dias, disponibilizaremos as sete partes do documentário. Veja a primeira a seguir:

Sistema financeiro

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FMI agora defende regulação no mercado financeiro
Por ser uma instituição financeira adepta ao livre mercado radical, sem a presença do Estado para fiscalizar o capital privado, entrevista do diretor-geral causa, no mínimo, estranheza.

Como instituição financeira conservadora, ferrenha defensora do livre mercado radical, sem qualquer "amarra" do Estado, o FMI (Fundo Monetário Internacional) sempre foi temido pelos países pobres, em especial os latino-americanos. A economia brasileira já dependeu, durante os anos 80 e boa parte dos 90, dos seus empréstimos para não quebrar de vez. O problema estava no que os economistas do fundo pediam em troca do crédito concedido. A receita conhecida como neoliberal pregava a privatização em larga escala, a redução dos gastos do Estado, excluindo os projetos sociais, e a ausência de regulamentação para o capital privado.

Em entrevista à revista semanal alemã Der Spiegel, o diretor-gerente do FMI, o francês Dominique Strauss-Kahn, defendeu, vejam vocês, alguma regulação do governo sobre as atividades do mercado financeiro. Muito longe da influência do passado, a instituição financeira, criada nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, sofre para negociar com os países-membros o aumento do capital disponível em seu caixa. O jornal O Estado de S. Paulo trouxe em uma das páginas do caderno de Economia do dia 15 de setembro, uma terça-feira, a conversa na íntegra. Leia os principais trechos:

PERGUNTA: O diretor executivo do Goldman Sachs (importante banco de investimento americano) disse, após a crise, que o episódio teria sido uma “tempestade perfeita”, argumentando que não se pode fazer nada para se proteger de uma tempestade perfeita.

STRAUSS-KAHN: Trata-se de uma metáfora equivocada. A sociedade humana não é uma força da natureza. A crise financeira foi um acontecimento catastrófico, mas um acontecimento criado pela ação do homem. A lição que todos precisamos aprender é que mesmo uma economia de livre mercado precisa de alguma espécie de regulação, caso contrário o seu funcionamento é comprometido.

PERGUNTA: O senhor está satisfeito com as realizações do FMI nesta crise?

STRAUSS-KAHN: O FMI desempenha papéis diferentes. O primeiro é tentar disponibilizar alertas preventivos contra crises iminentes. Antes da crise, nosso trabalho nesse sentido não foi tão bom quanto poderia ter sido. Uma segunda parte do nosso trabalho é oferecer conselhos aos responsáveis pela tomada de decisões e elaboração de medidas. Nesse aspecto, correspondemos às expectativas. Afinal, as principais reações à crise foram sugeridas por nós.

PERGUNTA: O FMI dispõe de recursos suficientes para desempenhar seu papel no futuro?

STRAUSS-KAHN: Contamos agora com o compromisso de US$ 500 bilhões em recursos adicionais por parte dos países-membros. Dispomos de recursos suficientes para arcar com nossas responsabilidades tradicionais de empréstimo.

PERGUNTA: Muitos gostariam de ver o FMI desempenhar o papel de super-regulador...

STRAUSS-KAHN: Não vejo o FMI como um policial, e sim como um médico. Oferecemos conselhos ao paciente e o ensinamos a conservar uma boa saúde. Se ele adoecer, damos o remédio (bem amargo, por sinal, considerando o passado da instituição).

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Reestruturação

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Os tempos mudaram, mas as instituições globais ainda são as mesmas
A decadência do Banco Mundial, do FMI e da própria ONU mostra que novos países, como o próprio Brasil, exigem espaço no cenário de representatividade internacional antes dominado pelas nações desenvolvidas.

Nos dias finais da Segunda Guerra Mundial, os países vencedores, liderados pelos Estados Unidos, fizeram uma reunião em território americano para discutir como ficaria a nova ordem global. Dilacerados pela extensa e sangrenta guerra, os países europeus, como Inglaterra e França, aceitaram passivamente as sugestões americanas. O encontro ficou historicamente conhecido como “Conferência de Bretton Woods”.

Como resultado, o dólar se tornou a moeda internacional, utilizada nas incontáveis transações comerciais e financeiras diárias. Além disso, foram criadas duas importantes instituições globais, uma voltada para o aconselhamento econômico de adequação ao livre-mercado, o FMI (Fundo Monetário Internacional), e outra voltada para a formulação de políticas de reconstrução dos países destruídos pela guerra, o Banco Mundial. Hoje, o BM tem por objetivo promover avanços sociais nos países pobres.

Algum tempo depois, em 1945, ainda sob forte influência americana, foi criada a ONU (Organização das Nações Unidas) para evitar que um conflito daquela magnitude ocorresse novamente. O objetivo da instituição é promover o diálogo entre as nações, principalmente das que estão em pé de guerra.

Essa estrutura pós-guerra perdura até os dias de hoje. Mas, como sabemos, o mundo sofreu enormes mudanças. Além da recuperação dos países europeus, com a criação de um grande bloco voltado para a integração econômica do velho continente, outros personagens surgiram com expressão no cenário internacional.

Os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), sigla criada por um economista de um grande banco de investimentos americano, que reúne as economias com enorme potencial de alcançar o grupo dos desenvolvidos nos próximos anos, estão em um processo de plena ascensão. Com exceção da Rússia, dependente da exportação de petróleo, os outros passaram pelo pior momento da crise sem grandes traumas, bem diferente do que ocorreu com o seleto grupo das nações desenvolvidas.

A consistência econômica faz com que Brasil, Índia e China insistam em uma reformulação da estrutura política que leve em conta a opinião de um número maior de países. Um dos poucos efeitos positivos da globalização foi fazer com que outras nações obtivessem algum destaque. Hoje, ao contrário daquele mundo anterior à dissolução da União Soviética, o poder global se fragmentou em uma quantidade maior de países. Os Estados Unidos não têm, de maneira nenhuma, a mesma influência que possuía ao final da Segunda Grande Guerra.

Os brasileiros, por exemplo, lutam para conseguir uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, órgão das Nações Unidas que há muito tempo vive uma crise de credibilidade (a invasão do Iraque pelos americanos piorou a situação). O interesse do Brasil é opinar nos momentos de grandes ações internacionais, como a imposição de sanções comerciais, o envio de forças internacionais e a invasão de determinado país. Apenas cinco países têm esse privilégio, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China, já que são os únicos membros permanentes.

Muito mais importante do que o Conselho de Segurança é o aumento da representação dos países pobres e em desenvolvimento no Banco Mundial e no FMI. Ao longo da história, os americanos sempre presidiram o Banco Mundial, enquanto os europeus tradicionalmente ficaram com a presidência do FMI. É um acordo feito entre as duas maiores forças econômicas da história da humanidade desde o surgimento das instituições.

Enquanto não houver uma adequação do sistema político às profundas alterações econômicas, continuaremos vivendo em um mundo que está de cabeça para baixo. O FMI perdeu há muito tempo sua credibilidade. Os países, com razão, enxergam no fundo uma grande fonte de encrenca.

O liberalismo radical, através de uma receita que mistura ingredientes favoráveis aos grandes investidores e prejudiciais aos interesses da população, como privatizações em larga escala, corte de programas sociais, diminuição do tamanho do Estado e ausência do governo nas atividades do mercado, foi a política econômica que o FMI obrigou os países, principalmente os latino-americanos, a adotar para receber, durante os anos 80 e 90, os empréstimos de emergência da instituição. Com a inflação na casa dos milhares, corroendo o poder de compra do salário, esses países não tiveram escolha. O desespero fez com que colocassem em prática o até hoje temido neoliberalismo.

Já o Banco Mundial tenta desenvolver políticas sociais nos países que necessitam de ajuda, como a concessão de empréstimos, sob condições facilitadas, para o investimento, por exemplo, em saneamento básico. Sua maior luta, pelo menos no papel, está no combate à pobreza. Infelizmente, não está surtindo bons resultados, porque a fome, segundo a ONU, deve atingir a triste marca, um recorde, de 1 bilhão de pessoas no final deste ano.

Por fim, as Nações Unidas, com exceção do Conselho de Segurança, goza de algum prestígio. É a instituição global cujos países, sejam eles pobres, em desenvolvimento ou ricos, estão mais bem representados. Seu secretário-geral, o coreano Ban Ki-moon, tem uma boa reputação. Nos encontros internacionais, o maior representante da ONU discursa com fervor a respeito da perversidade de tantos seres humanos ainda passarem fome. No entanto, suas palavras estão longe de produzir políticas eficientes de combate às mazelas do mundo.

Para conversar com Bruno Toranzo, autor do texto, mande uma mensagem para o seguinte e-mail: brunovdpt@hotmail.com